domingo, fevereiro 03, 2008

Para ...

Meu estômago impacienta-se,
Comprimido entre duodeno e esôfago,
Se contorce em dores suportáveis
Até que em vias de sentir coisa parecida com estupor
Se descontrai já na boca preste a pronunciar amor.

E quando penso que recupero o fôlego
Tão logo acabe este suspiro,
Vejo comprometido todo o meu sistema respiratório,
Com um poema todo pronto Preso na laringe.

Palavras, milhares delas, escapam,
Não são ditas, escorregam pela
Traquéia e vão jazer nos brônquios;
Letras abismadas, inflamam!

E na caixa torácica um órgão carismático
Pulsa sozinho,
Enquanto circula na veia a tinta.

4 comentários:

Dyego Saraiva disse...

escrevemos sobre a mesma coisa.

ps: vaidade? lembrei agora sobre um texto teu sobre amor e cinismo. Houve até aplausos. afinal, concordâncias.

rafael dutton disse...

adorei sua poesia. esta, especialmente, é primorosa. viceralmente anti-metafísica.

Lux Luxo disse...

Muito agradecida, meus senhores.

Gisele disse...

Linda poesia... mas só agora pra comentar o susto... muitas das minha também foram para um Fabrício.