sexta-feira, janeiro 26, 2007

Por que não vai procurar alguém do seu tamanho?

Coisa desagradável tem se tornado o hábito de atender ao telefone. As informações que me chegam através dele, não fazem outra coisa senão roubar-me o bom humor. Estou indisposta, com certo desânimo. Bolas, que posso fazer se não me restam dinheiros para fugir, se não tenho amparo noutro lugar do mundo. Estar só não é a pior parte, aliás, quero muito estar só. Por quê não me entusiasma estar na companhia de pessoas, não sinto sequer cócegas, não entendo suas "paixões", acho tolice ter um dia me associado a isto, a estes sonhos bobíssimos, a suas escolhas, e até em ter um dia me enganado com isto tão estupidamente à ponto de crer que tinha escolhas, que as podia fazer. Grandissíssima idiota eu fui. Ar, preciso respirar, estar longe deste clima social doentio, perverso, sustentado manhã após manhã, por estes grandissíssimos tolos, em seus lugares escolhidos, em suas ruas fétidas, com seus trajes favoritos e, suas idéias tão originalmente imbecis e, cruz, espontâneas, com suas certezas, tomando para si ares pernósticos de pensamentos grandiosos fruto de seus intelectos geniais. Ora, por favor, isto é exaustívo, insuportavelmente irritante. Cansa-me suas estúpidas perguntas, e ainda mais suas respostas pra tudo, e ainda mais suas análises ridículas como se tivessem propriedade em todos os tipos de assunto. É grotesca a importância que atribuem a si em demasia e, vou me colocar num lugar que sentencio ser o meu derradeiro, na esperança de me deixarem em paz. *** Outra coisa que tem me deixado chateada é minha personalidade oscilante. Eu já vi pessoas, inclusive eu, trocar o nome de outras pessoas, mas nunca tinha sabido antes de gente que assina o nome de outro, em confusão, nem de gente que chama pelo seu nome outras pessoas. Se eu não deixar de ser doente em breve não sei mais... *** Eu tinha me prometido que não ia mais postar escritos antigos, mas promessa que eu faço a mim, desfaço.

4 comentários:

Lux Luxo disse...

Eu não costumo ser atrevida desta maneira, e além do mais de algumas pessoas eu gosto, mas não quero reviver a Elegia 1938 de C. Drummond, não quero perder minha vida ao telefone.
Para quem estou me explicando?!

Alter-egos disse...

O jovem, outrora, já foi mais alegre: queria casar-se e aí sim, desiludir-se e amargurar-se. Somos jovens tristes porque a desilusão vem cedo. Mas há muita gente alegre por aí, no show do Calypso.

Bárbara disse...

pois num é que.

Lux Luxo disse...

E eu não invejo ninguém, A-E, mas estou me sentindo muito propensa a admitir em mim sentimentos de cobiça e ganância. E de mais a mais, eu já não sou tão jovem assim, tenho aí uma folha corrida de reclamações. Você me lembrou um duas poesias do F. Pessoa, Lisboa revisitada( 1926-23).
A Barbie é o que há de gente interessante neste mundo.