terça-feira, janeiro 02, 2007

O homem Louco.

Eu não sou influenciado por ninguém e sou o outro, nunca eu mesmo, nunca quem sei. Eu não tenho tempo para ser feliz, mas também nunca sobrou hora para ser triste. Eu não sou isso, nem aquilo; é o tempo que me tem! Não insisti. E, se chorei não me dei conta. Se sorri não foi pra mim, eu era ainda ontem o quê não serei hoje, assim. Tempestades houveram em mim, lá fora só chovia, nada mais. Em mim, sempre, ouvi estrondo de portas que se fechavam, que se trancavam e os segredos desapareciam. Mesmo assim, em mim, nunca houve silêncio. Nasci para a guerra. Eu a esperei! Não veio, não veio a mim. E cultivo a dúvida de ser ou não capaz de deter vidas, se a minha própria não detenho. Mas aí é por não ter certeza de que não viverei a eternidade e mais uns dias, indo assim, antes da hora, da marca. Por que se tenho um sonho é este; que me vem a morte enfim, justa, pontual. Mas e se de surpresa, de assalto pronto, e eu sem perceber, como é de repente que surpresas pegam na gente, vivendo eu distraidamente e notar sem mais, nem menos, que não vivia, preparava a morte minha. Não, eu nunca caminhei. Eu maquinava, às minhas costas, uma morte prematura. Eu e outros como eu, que não foram à guerra. Porém estes, estes quase como eu, levantaram a dor como estandarte e em marcha se afastaram de mim. E eu fiquei lá com a impressão de que desconhecia o quê os movia e depois constatou-se fato; eu desconhecia. E até estas horas eu não sei, eu não sei o quê me separa deles e me torna Louco! M. Santos Rio,2006.

1 comentário:

contra disse...

"Eu maquinava, às minhas costas, uma morte prematura. Eu e outros como eu, que não foram à guerra."