terça-feira, dezembro 05, 2006

Do Lou

Se a igreja tem o espírito de Jesus, então nela há lugar para toda piedade cristã, inclusive a de orientação liberal. Albert Schweitzer Sempre me incomodou a atitude discriminatória da igreja. Pessoas desalinhadas com a visão, seja ela conservadora, fundamentalista, calvinista, dispensacionalista, arminista, liberal ou o que for. Não é comum encontrar ai, as prostitutas, os ex-presidiários, os drogaditos, enfim, os parias da sociedade. Se freqüentarem, melhor lhes será fazê-lo de forma anônima ou, pelo menos, omitindo parte de seu passado (ou presente) escuso. Já perdi a conta das vezes em que argumentei com outras pessoas defendendo a necessidade de caminharmos juntos, mesmo pensando diferente. Também perdi inúmeras chances de dizê-lo. Por outro lado, em grande parte das oportunidades, cabe muito mais silenciar para manter a união, ao invés de tentar convencer e perder as pessoas. Sinto profundamente por não ser aceito na maioria das igrejas. Mas, dói muito mais, a miséria de saber que não tenho a menor disposição para encarar com aceitação uma igreja, seja ela qual for. Também não suporto conviver com a hipocrisia de burgueses se fazendo passar por proletários revolucionários. Minha disposição para conviver com os diferentes é ínfima. Odeio o desprezo, mas vivo desprezando. Assim, projeto na igreja a atitude que gostaria de adotar e não sou capaz. Invejo aquela fleuma inclusiva do Mestre Galileu. Gostaria de andar com os braços abertos, igual aquele cara do vídeo, abraçando todo mundo. Disso não sou capaz. Já dei abraços surpreendentemente misericordiosos, mas perdi a oportunidade de fazê-lo milhões de outras vezes. Quando alguém me toma por bom, sinto toda a hipocrisia circulando dentro de mim. Não tenho controle sobre meus sentimentos. No máximo, consigo não externá-los a todo instante. Minha distância da igreja se deve muito mais ao ódio que sinto pela rejeição, à falta de oportunidade para exercer meus dotes sacerdotais, do que pelas mazelas da própria igreja. Consigo enxergar nas palavras de Schweitzer os mesmos sentimentos, pois, foi outro rejeitado e discriminado. Isso expôs suas próprias dificuldades. Só que ele conseguiu lidar com isso muito bem. Fez o que o Boff preconiza agora: se não me querem numa trincheira, vou lutar em outra, mas não abandonarei a guerra. Nosso herói de hoje foi para a África, depois de cursar medicina, embora fosse o reitor de um importante seminário, fundou e tocou uma clínica onde atendia enfermos pobres gratuitamente. Nos intervalos, desobedecendo às ordens de sua missão, pregava ao povo. Veja aqui o lugar (clique em Panorama Lambaréné). No máximo, faço esse esforço através do blog, embora quase o tenha abandonado devido a chateações múltiplas. Andava me imaginando à frente do “Projeto Criança Feliz”, mas, entendi que isso não será possível. Não sou capaz de andar com os que pensam diferente. Causo repulsa neles e vice-versa. E eles não fazem cerimônia para deixar claro sua aversão ao santarrão aqui e eu idem. Só me resta buscar uma trincheira vazia, onde eu lute sozinho e receba quem quiser. Ai me caberá a tarefa de discriminar ou não. Já pensou se o primeiro que vier for um burguês comunista? Mas não pretendo ser um eremita dissociado. Quero estar integrado de algum jeito. Talvez o blog continue e se fortaleça como o elo necessário. Quem sabe, não vendo a minha beleza, seja mais fácil para o pessoal. Não é fácil fazer o que o Jesus de Nazaré espera de mim, especialmente, praticar esse amor todo inclusivo que ele inventou.

2 comentários:

Lou Mello disse...

Valeu! lisonjeadamente grato.

Bárbara disse...

hunrunh, depois eu vejo isso.