segunda-feira, outubro 23, 2006

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Lidía, ignoramos. Somos estrangeiros Onde quer que estejamos. Lídia, ignoramos. Somos estrangeiros Onde quer que moremos. Tudo é alheio Nem fala língua nossa. Façamos de nós mesmos o retiro Onde esconder-nos, tímidos do insulto De tumulto do mundo. Que quer o amor mais que não ser de outros? Como um segredo dito nos mistérios, Seja sacro por nosso. F. Pessoa. Eu Calabouço. Dasdores sacou um sorriso e atirou um beijo na direção que ficou vazia. Na verdade ela não era nada na porta do cinema e talvez por isso o ônibus tenha ido, não pode ver, quem o conduzia, o braço de moça estendido. Por certo distraíram-se com o show pirotécnico da cidade grande e com as pernas que acompanhavam as mini-saias cada vez mais minis. E por Dasdores também passou lotada a felicidade e na frente da tv estacionaram pensando que ninguém assistia. Ficou com medo de chorar, de que alguém imaginasse que ela chorava por uma coisa a toa; alguém morto, ou um desgraçado namorado. Chorou mesmo assim, por dentro, e achou que o cigarro era uma coisa boa. Alguém disse: - Eu quero morrer! – Dasdores pensou que sua alma estava em outra pessoa. Viu seu coração rolar ladeira a baixo e pensou que ainda que dor é vida, é vida falar sozinha. Teve outro medo, medo de que atropelassem sua magreza a passear pelas ruas, medo de que jamais a vissem e lentamente levou as mãos ao rosto tentando encobrir o terror. Mas não era nada na porta do cinema, não era nem poesia. Trancou desespero e ódio no único calabouço que conhecia e seu estômago, cansado de vazio, pedia: - Deus, habita-me !

7 comentários:

luciano indignado disse...

Habitar-la-ia também, se assim quisesse!!! hehehehe

beijos

Alter-egos disse...

se alguém me perguntar uma definição não-científica sobre a melancolia, mandarei ler esse texto.

"Mas não era nada na porta do cinema, não era nem poesia." Hah, quer enganar a quem?

Lux Luxo disse...

Lu, dasdores é fictícia. E Dy, Lord Dy, quero enganar todo mundo, quero que pensem que eu sou gente boa, legal, ótima, mas a poesia só existe depois que a merda toda já foi feita. ( céus, é muito bom falar palavrão).
Ai, ai, eu.

Hernan disse...

Dasdores das dores.

Lou H. Mello disse...

De fato, a maior motivação da poesia é a dor, especialmente, quando ela torna-se insuportável. Quanto a falar palavrão, estou contigo, embora me contenha, hipócritamente.

Lux Luxo disse...

Hernan, ai meu pé.
Lou, vamos dar as mãos, nós hipócritas, por que eu também não me importo que me usem, mas que pelo menos finjam algum apreço.

Bárbara disse...

ah.