quinta-feira, agosto 03, 2006

Querido Diário,

( Tenho uma vaga idéia do por que de tanta bajulação com objeto inanimado) “ A telha que cai sobre um desesperado transeunte anônimo, e é a sua libertação, constitui um fato que não pertence a história. Mas a que atinge a nuca de um jovem gênio é uma catástrofe histórica de importância universal.” Ortega Y Gasset. A favas com a história e com todo o resto. O tratado de Sociologia I, de R. Siches, é repleto desses apontamentos que pretendem reforçar a importância da história, da filosofia e da psicologia para a sociologia e consequentemente para o homem, que é abjeto, digo, objeto alvo dos bombardeios dessas doutrinas. O homem ao qual me refiro é este ordinário que merece que uma bigorna o atinja em pleno passeio já que a este falta a genialidade ( ? ) dos pensadores, historiadores, enfim destes que compõe a categoria de gente que possui intelectos ativos. Este homem que não faz a ginástica intelectual merece a morte, pois, que serventia tem neste mundo? Pelo que se nota a serventia e o valor são menores que a do gênio. Este, se morre, configura grande dano ao mundo e, não nos seria possível contemplar a sua graça em sentar numa pedra e pôr o olhar a vagabundear, tendo em vista ainda que o que se segue após este tremendo esforço é um catatau de idéias paralíticas que vão ilustrar os livros de sociologia, história, filosofia, psicologia e outras ias mais. Sendo assim é melhor mesmo que me joguem uma pedra na cabeça, que salvem-me dos gênios antes que estes me matem pouco a pouco de tédio. ** Há a necessidade de expor o óbvio, pois a mim faltou a força que dá movimento ao intelecto, isto é, se tenho um. Não me sinto apta a elogiar qualquer um que seja, nem posso reconhecer um gênio, já que sou débil. Porém meu espírito não é sorumbático, sou sensível ao sublime. Não é normal aquele B. Powell, se não o digo separado é tão somente para não incorrer em heresia. Queria eu ser capaz de imprimir o que sinto quando aos meus ouvidos chagam estes sons. Pena eu estar dentre a categoria de gente de que fala o Senhor W. Hazlitt, pena eu guardar minhas idéias na algibeira, quando não as deixo penduradas na biblioteca. ** Vá lá, sou uma louca contraditória. ( Mas é verdade que estou desconfortável nesta posição, que meu desejo não é outro senão o de ser santa) ** Acontece, pois, que não faço distinção entre os feitos e desfeitos e defeitos do homem, a meu ver, tudo é distração e produto do ócio. E o que mais poderia ser feito? Encerro aqui, posto que moro na ignorância. ** Vou me explicar. Não que eu estivesse em pedestal, mas desci por que se um é menos importante que outro, então o mundo não está em conformidade. E se o mundo não está em conformidade, não há nada importante. Se B. Powell, D. Ellington e D. Gillespie são importantes para a música, o mesmo tanto é quem os aprecia. Se um gênio não pode ter seu cérebro despedaçado por um aerólito, nem tampouco o ignorante, que é passível de aprendizado. ** E meus ares violentos só se voltam contra os disseminadores dessas doutrinas por que muito me admira a capacidade que têm de proferir tais impropérios. Coisa que néscio que se preze não faria. É o que por hora verifico.

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