quinta-feira, outubro 06, 2005

Guerra é coisa de menino...

Mas eu voto não. Estamos prestes a pôr abaixo a idéia de cidadão soldado, a desfazer um ideal de sociedade justa, livre e capacitada, a ignorar a visão antimilitarista de Comte que tanto influenciou os cidadãos e militares no ano de 1831. A idéia era amenizar o desconforto da Guarda Nacional brasileira no que concernia ao peso de suas fardas, uma espécie de insígnia do despotismo. Quase duzentos anos depois verifica-se que a República não deu certo, que a democrácia é uma pantomima e que o povo não passa de reles fazedor de barulho inútil. Agora querem que eu devolva à "nobresa" o monopólio das armas sem garantias para o cidadão contra o Estado ou qualquer outro malfeitor desses aí. Quando o direito do povo se armar foi incorporado em nossa constituição, retirado das legislações americana e francesa, acompanhando o galicismo da época, a idéia era de se estabelecer de uma vez a democrácia. Mas no caso deste referendo, me parece que querem extínguir o direito de escolha dos civis, destituíndo assim a democrácia dando-nos a impressão de que somos cidadãos em pleno exercício de nossa liberdade. Ora, cortem essa, pelo amor de deus. Imagina eu votando sim sem me sentir arbitrária, decidindo o destino alheio, as escolhas alheias. Quem sou eu! Gostaria de saber se o distintíssimo Felipe Dilon vai abrir mão de seus seguranças armados( e que perigos corre este senhor, hem? Um monte de histéricas mirins querendo um tufo de seus cabelos)?

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