terça-feira, setembro 20, 2005

Eu, que de tão boa sou quase desumana, emborco a xícara todas as noites.
Idem.
Descendo de uma linhagem que se caracteriza pela aceitação dos dogmas católicos como verdade irrefutável e basilar, resolveram que, sendo eu de pouca obediência, também sou de pouca fé, a saber, de pouca para nenhuma. A probabilidade de estarem corretos não há. Sou uma moça de fé, de pouca, mas de uma fé sem alterações, nem para mais, nem para menos. Devido a uma personalidade macromaniaca , meu amigo imaginário nunca foi outro senão o próprio Deus, o criador. À ele reivindico as curas para todos os tipos de mazela que insistem em me assolar. Quase sempre obtenho resposta positiva e quando não, trato tudo com o conformismo que me é peculiar. Contudo este aspecto de minha vida rudimentar tem me causado inúmeros constrangimentos de naturezas várias. Porquê quando não riem sem comedimentos, desdenham-me com olhares penalizados. Ora, a paciência se faz necessária nessas horas e eu me valho da que me resta. Até porquê também não poupo gargalhadas quando noto algum destes críticos racionais em seus ritos sociais, em danças desembaraçadas ou entorpecidos por drogas de modo similar ao dos silvícolas de ontém e hoje( Não entendam que uso termo pejorativo por mero pré-conceito. é só para diferençar o civilizado do não-civilizado e já atestando que neste caso, quiçá em todos, diferenças não existem). E já vou logo rasgando a carta da boa política que não é ainda desta vez que me livro da alcunha de reclamona e, por meio desta venho também criticar não apenas os adeptos dos rituais ainda não investigados pela supra-dita razão, como também àqueles que zombam deliberadamente de outras crenças que não tenham o mesmo teor das que eles cultivam. Afinal, todo vivente acredita em alguma coisa, se não, nem dormia. É feng Shui , loteria, macumba, psicologia, céus, acreditam em repetição, ai, uma infinidade de coisas outras que esse povo do mundo acredita e só porquê eu acredito em Deus, me reservam o escárnio, me lançam ao roll dos ignorantes sem perceber que nem precisa, já que estão em toda parte. Meus caros, é verdade, encontro alento e aceitação junto aos mais velhos cronológicamente dizendo, o que acenta minhas suspeitas de ser eu um ser anacrônico. Quer dizer então que acreditar em Deus, especificamente, é coisa antiga? Isso! é que a moda é ir em batuque de macumba consultar orixás sobre futuro e passado( aí de mim que só creio no hoje), a moda é ir procurar saber em que canto fica bem a privada para se obter uma vida especial, a moda é se valer de métodos pré-conceituosos para assegurar uma vida sem surpresas desagradáveis. Rá, que coisa sóbria! que gloriosa civilização! Dê-me licença, preciso ir pedir perdão à Deus por conta de tanta soberba. * Meu caro Proust, Lepré não era indiferente, apenas tinha gosto pelas mulheres terríveis. Indiferente era Madeleine, que dizia tanto amar Lepré para ponto de chorar e, esqueceu o mesmo na dobra da esquina, como se fosse um guarda-chuva velho em dia de sol. * E para otimizar o espaço entre uma tragédia e outra, agente faz samba.

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