segunda-feira, julho 04, 2005

Esta bagunça não pode ser o sagrado; Só posso estar no inferno.

E cá estão minhas idéias, emaranhadas a dez bilhões de células nervosas, prensadas em 1,4 kg de massa cinzenta e branca. Devo dizer que não estou bem acomodada, passo mal. Que responsabilidades têm neste meu estado, o lobo occipital, o sulco parietoccipital, o lobo temporal e o lobo frontal. O pranto é grande, o meu. Aos montes vão me deixando, todos, e um dia não me restará nenhum, nenhum neurotransmissor. Que mania têm de abandonar, e estes anos aqui em minha porta anunciam que é pra já. Logo estes neurônios, com todas essas informações, também me deixam.( Ei, não seria possível reconstruir com exatidão um único dia passado, como pretendia Funes, o memorioso. Não, nem todos os neurotransmissores conseguem alcançar o neurônio, então, temos estas informações parciais, memória parcial de um acontecimento. Seria impossível reconstruir um único acontecimento com precisão. Não temos muito!) E o que faz esta glândula pineal aqui, bem no meio desta confusão? Quero sair daqui, quero saber o que vem a ser a liberdade, a arrumação, antes que me deixem, todos. Que penso no universo extenso, maior, sem linhas, sem aponeuroses epicranianas , livre. Quero ser neutrino, partícula elementar, sem carga elétrica e quase nenhuma massa, me deslocar com a velocidade da luz, jamais interagir com alguma outra matéria, alcançar um horizonte de eventos, o buraco negro, outras galáxias.

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