segunda-feira, junho 06, 2005

“Raios, é uma triste verdade, o ciumento não tem vez no mundo. Vai morrer com dor, perseguido por suspeitas reais, assombrado pelo horror de ser deixado de lado por outros punhados de graças que ele mesmo poderia oferecer. Mas não adianta investir esforços nesta peleja; ele vai com as ondas, com o vento, ele te deixa a volver. Assim é o coito e sempre o será.” Idem. A felicidade, se tiver de vir, deve ser branda e amiga, não inquietar o espirito, tornar indivíduos pacatos em tresloucados saltitantes. Senhores, notem a feiura, se há harmonia, se o cheiro é de amônia, se não embebeda. Sei, é tempo inflamado, a respiração oprime e estas batidas um dia cessam. Dança frenética, atônita, cambaleante, cai caiada na tumba e o cheiro é de cal puro, branquinho. Estamos muito infelizes, estamos tristes que nem tristeza, nem se pode dormir assim, ao som desta nênia, com este alarido macabro. Se é o tic-tac, se são as batidas do teu coração, o ranger dos dentes aí em tua boca a dizer impropérios, se é barulho o produto do mundo; diga-me adeus! Improbo abismado, catatônico, reticente reticência, surpresa esperada; sê presa! Para os loucos um mundo lúcido em guarda. Para os triste uma tarde lúdica, livres do que é monótono e lancinante. Sei, a juventude é transitória, o a seguir também, meu bem. Será suave, delicado, ameno, prometeram. Touchet... Enfim, em teu amor próprio investigas as causas pelas quais estas sendo tão ofuscado pela beleza alheia. Não tens também alguns encantos? não és autor de feitos também admiráveis? Então que há que não te amam? Sim, talvez seja hora de sua pessoa se recolher, arrastar correntes. Um ego murcha feito flor, assim, na dobra da esquina. Pobre vítima ridícula, em pouco tempo serás pó, nada de enfeite para as faces decréptas de quem busca a aparência da flor de outrora. Não é vingança, por que seria? É a vida e seu patético mecanismo de reprodução. Todo o resto é vaidade.

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