segunda-feira, abril 25, 2005

Finalmente um novo post para um blog paralítico.

Tragédia I Piazzola com um pouco de Nelson Rodrigues. É o meu gosto pelo trágico se consolidando. E como combinam; eu e a tragédia, N. Rodrigues e A. Piazzola. Tenham pena, é p’ra tanto, é p’ra choro, p’ra vela, p’ra gritos estranhos, é p’ra sentir coração se partindo dentro da caixa toráxica. A dizer a verdade sempre apreciei tais exercícios, me desagrada ver lágrima contida nas cercanias dos olhos, ela tem de rolar mundo a fora! Nas mãos tem de haver sangue, força para estapear o ar. Tenham medo, é p’ra tango, é pra som de stradivarius perfurar a alma. E p’ra quê se adianta assim, a salvação? A falar sinceramente me inquieta o sossêgo, a música que acaba, o silêncio que oprime, e é o mesmo que anuncia a morte que se apressa, o desfecho da tragédia e os ossos que restam. O mundo é feito de morte, os que nascem já carregam essa sorte. *Quem estiver achando ruim vá reclamar com Julia, que foi quem me deu de presente o Piazzola. Tragédia II Do voto gratuíto. Eu blasfemei, assim que aprendi, gritei nomes feios e tive tanto ódio, eu citei Maquiavel, pedi estricnina. Chacinas, hospitais que não funcionam, isso dá um rap. Eu lembrava da Jandira, ela avisou e isso dava um samba. Mas como o mundo já está na sua milionésima repetição, paciência, que é longe abeça. A conclusão capital a que chegamos com este trabalho, a saber, que o homem descende de uma forma de organização inferior, será, eu receio, desagradabilíssima para muitos. Difícilmente porém pode haver dúvida de que nós descendemos de selvagens. Darwin. A guerra revela o homem. O homem se organiza na ação, constrói-se para a guerra. O sexo atacante, o argivo anfiareu, é o único que se conhece a si mesmo por que sabe que vai morrer. Como vidente, contrasta a cegueira dos demais. O homem é um enigma não decifrado. “Deformada é a imagem que cada um faz de si. Nada garante que seja confiável a máscara que para nós mesmo construímos. Os braços que se movem no trabalho são remos que conduzem à morte.” Donaldo Schüfer.

Sem comentários: