domingo, fevereiro 13, 2005

Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas. Também escrevi em meu tempo cartas de amor, Como as outras, Ridículas. As cartas de amor, se há amor, Têm de ser Ridículas. Mas afinal, Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor É que são Ridículas. Quem me dera no tempo em que escrevia Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas. A verdade é que hoje As minhas memórias Dessas cartas de amor É que são Ridículas. ( Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas.) Álvaro de Campos. ************************ “O amor é uma flor roxa Que nasce no coração do ‘troxa’.” ************************ A volta do pai pródigo à cidade. Batutas à postos; oboés, fagotes, clarinetas, flautas, violas, violinos, violoncelos, contra-baixos, pistões, a corneta, a tumba, harpas de anjos, trombones, trombetas, as trompas! O ânimo, meu coração se enche de alguma coisa que lembra alegria e queria bater assim, feito sinfônia, adagio alegro molto, schezo, molto vivat! A promessa de felicidade vem fraquinha, mas é uma promessa, eu confio.

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