quarta-feira, janeiro 12, 2005

Tratemos destes assuntos do coração, órgão oco, com a consideração que merecem; nenhuma. Importante é o amor apenas para o tolo que ama, motivo de riso para quem assiste o doente se deleitar na doçura das primeiras horas e sabe que estas horas são fulgazes e que não há como perenizar o efêmero, e o amor é efêmero, logo alguém se estabaca no chão, caído de sua alta nuvem, com cara de bobo. Mas se podermos contar com a razão e perceber que amar outrem é também ter um amigo com quem se pode fazer sexo, então, estamos salvos( em algo eu tenho de me apegar) . Meu adereço preferido é doce ainda, tenho saudades dele assim que passo pela porta e tomo o rumo de casa, quando em meu coração rancoroso há bastante ódio, ainda penso no moço, pois não sou capaz de esquecê-lo. Ah, sentimentos, sublimes egoístas, combustível para o desespero da alma, havendo uma. Fico eu em meus dias simplinhos, com minhas coisinhas à serem feitas, com minha vidinha interessante apenas para mim, a imaginar que tempo virá agora, se de chuva ou de sol, nem ligo, que importa é se ele aparece! E ele, quando se desocupa do mundo maravilhoso, dá para mim uns minutinhos que eu conto e transformo em em várias lembranças para usar nas horas de saudade. Ah, que se afaste a hora de minha ruína, já que não vejo com a mesma clareza dos sãos, que estão seguros em seus dias de total lucidez, que não escrevem cartas de bobo, nem amam sexo, nem se ocupam com conversas de auto-promoção para que o amado ame o seu eu perfeito, nem desejam romances em suas vidas, não, eles tem mais o que fazer, senhores impassíveis! Não terão amantes para que elas não os possa trair, para que não se alterem, pois é melhor nem saber que força sinistra é esta que pode arrebatá-los ao inferno assim que tiver mostrado à eles um quê de paraiso. Melhor, bem melhor é o ópio! É, é o sentimento do ócio, é a empresa do horror, é a lente da fantasia. Mas o moço, eu gosto dele sim, assim terrivelmente, verififico que sim em todas as manhãs por que passo, em todas as horas que me noto louca, e como me custa não me encontrar como era antes, ou ainda enganada, crente ser sã. ****** Ai, acabou. É bom que tenha terminado, pois não podia mais suportar a sensação de ser cabra, vaca ou porco arrebanhados, esperando a porteira se abrir.

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