segunda-feira, dezembro 06, 2004

Não quero aqui dar demonstração de eruditismo, até por que não me agrada o gênero, menos ainda fazê-los incorrer no engano de associar o vinho à pompa. Pelo contrário, ao longo da leitura perceberão que escolhi um assunto com o qual não tenho intimidade. Vamos à ele: Dias atrás tive de ir à uma degustação de vinhos, exigêngias do trabalho. Lá estavam uma boa parte dos garçons cariocas, compradores, vendedores, todos interessados nos assuntos 'vinicultivos'. Eu impacientava-me, que graça há nisso, eu detesto vinho, ainda mais sendo tinto seco, requisito a ser preenchido por todo 'bom vinho'. Devo acrescentar que não assimilei nenhumas palavra das que foram ditas, por que, além de não ser nenhum prodígio, tive de bebericar cada rótulo de cada estande. Resultado: Uma bêbada diurna. Apesar de tudo, eu não era a mais entusiasmada. Pois bem, um dos responsáveis pelo evento veio me perguntar o que eu achei dos vinhos em exposição, no que lhe respondi o óbvio; Não gosto de vinho. A surpresa estampou o rosto do cidadão, e conhecendo o meu gosto, ou desgosto, achou por bem ser um pernóstico cretino e danou a me dizer que o sabor do vinho tinha um requinte que eu talvez não tivesse preparo para apreciar, que os vinhos em questão eram de uvas finas e que o aroma era divino, como eu poderia não perceber, e outras grosserias mais. Pela madrugada, quanta besteira. Ora essa, seu pedante de uma figa, não te ensinaram que é falta de educação e grosseria ser esnobe? Onde conseguiu esses modos indescentes, não sabe o que são boas maneiras? pensa que é medíocre quem não entende o mundo da mesma forma que você? está enganado, viu? Mas eu não lhe disse nada, eu pedi licença e fui embora resmungando, achando que nem meu trabalho eu consigo fazer direito.

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