terça-feira, novembro 23, 2004

A mim agrada mais a idéia de passear em becos sinistros, onde as mazelas são aparentes, a ter de voltar ao iglu da lavradio. Tal perspectiva me dá taquicárdia e ânsia de vômito. O interior do prédio me recorda um hospital, um iglu, um livro do Kafka, mas o mais desagradável são as pessoas que povoam os andares e como se comportam. Sussuram mentiras, cochicham o que se pode dizer, o que se deve omitir, o quê, sob qualquer hipótese, não deve ser dito. Mente o reclamado, mente o reclamante e o juiz fingi que acredita, todos figem que acreditam que ali, a lei, está valendo. Seus discursos são comoventes, os papéis são alterados, feito, suas tramas maléficas têm o respaldo da lei. Céus, dá nojo! Suas pastinhas, seus scarpins, ternos, barbas bem feitas, cidadãos bem apessoados em tramóias grosseiras, uma lástima. Juro por Deus que preferia um beco sinistro.

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